Gramado sintético aumenta mesmo o risco de lesão?

allianz parque 1024x576

Independentemente do resultado de Palmeiras x Santos, a discussão que cercou a partida vai continuar muito além dos 90 minutos. A utilização de Neymar no gramado sintético do Nubank Parque voltou a colocar no centro do futebol brasileiro um debate que já envolve jogadores, clubes, dirigentes e entidades.

Neymar é apenas o personagem mais visível de uma discussão muito maior. Jogadores frequentemente relatam que o sintético é mais duro, prende mais a chuteira, exige mais do corpo ou aumenta o desconforto depois das partidas. Do outro lado, clubes que utilizam essas superfícies recorrem à evolução tecnológica, às certificações e a estudos que não encontram maior incidência geral de lesões.

A pergunta parece simples: gramado sintético realmente machuca mais?

Quando se observa o conjunto da literatura científica, porém, a resposta deixa de caber confortavelmente em um “sim” ou “não”.

Primeiro é preciso definir o que significa “machucar mais”

Uma das principais dificuldades dessa discussão está em colocar fenômenos diferentes dentro da mesma expressão. Incidência de lesões, ruptura ligamentar, entorse, dor muscular, queimadura por atrito ao gramado, desconforto articular, fadiga e percepção de esforço não são necessariamente a mesma coisa.

Isso importa porque muitos estudos epidemiológicos trabalham com definições de lesão associadas à necessidade de atendimento médico ou à perda de participação em treinos e partidas. Um jogador pode terminar um jogo sentindo mais rigidez, dor ou desconforto e, ainda assim, estar disponível para a atividade seguinte. Dependendo do protocolo utilizado, esse episódio não aparecerá como uma lesão nas estatísticas.

O contrário também é importante. Se duas superfícies apresentam incidência geral semelhante de lesões, isso não demonstra que produzam exatamente as mesmas respostas biomecânicas, fisiológicas ou subjetivas.

Essa diferença ajuda a compreender uma aparente contradição que acompanha o debate: os jogadores podem realmente sentir diferença entre as superfícies sem que isso necessariamente resulte em maior número de lesões registradas epidemiologicamente.

Quando milhares de horas de futebol são analisadas, o resultado surpreende

Uma das evidências mais abrangentes disponíveis foi publicada em 2023 na EClinicalMedicine. Ilari Kuitunen e colaboradores realizaram uma revisão sistemática com meta-análise que examinou 1.447 registros e incluiu 22 estudos observacionais comparando lesões no futebol em gramados artificiais e outras superfícies.

Os resultados não mostraram maior incidência geral no artificial. Entre homens, a razão de taxas de incidência foi de 0,82; entre mulheres, 0,83. Quando os pesquisadores analisaram especificamente jogadores profissionais, encontraram IRR de 0,79, com intervalo de confiança de 95% entre 0,70 e 0,90. Entre amadores, o resultado foi 0,91, com intervalo entre 0,77 e 1,09, sem evidência estatística de diferença.

À primeira vista, alguém poderia transformar esses números em uma conclusão ainda mais forte: se a incidência agregada foi menor, o sintético protegeria os jogadores. A própria qualidade da evidência impede esse salto. Dos 22 estudos incluídos, apenas cinco ajustaram suas análises para potenciais fatores de confusão. São estudos observacionais, não experimentos capazes de isolar a superfície de todas as outras variáveis envolvidas.

Por isso, o resultado permite afirmar que a melhor evidência agregada disponível não demonstra maior incidência geral de lesões no artificial, mas não permite concluir que a superfície artificial seja responsável por reduzir lesões.

Outros trabalhos importantes apontam na mesma direção. Em estudo prospectivo publicado em 2006 no British Journal of Sports Medicine, Ekstrand, Timpka e Hägglund acompanharam jogadores de clubes europeus de elite e não encontraram aumento significativo da incidência geral de lesões no artificial de terceira geração em comparação ao natural. Outro estudo do grupo, posteriormente, registrou 2.105 lesões em aproximadamente 246 mil horas de exposição no futebol de elite e também não identificou diferença global relevante entre as superfícies.

A Major League Soccer oferece outro exemplo. Em estudo publicado em 2019 no American Journal of Sports Medicine, foram registradas 2.174 lesões durante quatro temporadas. A taxa foi de 1,54 lesão por partida no artificial e 1,49 no natural, com razão de taxas de 1,033 e intervalo de confiança de 0,937 a 1,139. A incidência geral no artificial foi considerada não inferior à observada no natural.

Até aqui, a tese de que o sintético moderno simplesmente produz mais lesões não encontra respaldo consistente na epidemiologia. Mas olhar apenas o número total também pode esconder parte importante da história.

E no Brasil? Um estudo encontrou 9,5 contra 6,6

Um trabalho brasileiro recém-publicado oferece um contraponto especialmente relevante para essa discussão.

Pesquisadores analisaram retrospectivamente os 380 jogos do Campeonato Brasileiro da Série A de 2024, utilizando informações sobre partidas, superfícies e lesões obtidas em fontes públicas, entre elas a CBF e veículos de comunicação. O estudo identificou 88 lesões musculoesqueléticas e encontrou incidência de 6,6 lesões por mil horas-jogador no gramado natural e 9,5 no sintético.

O número chama atenção, principalmente porque trata diretamente do futebol brasileiro. Mas a interpretação exige o mesmo cuidado aplicado aos estudos internacionais.

O trabalho foi observacional e retrospectivo, não utilizou vigilância médica prospectiva dos clubes e dependeu de informações publicamente disponíveis. Isso aumenta a possibilidade de subnotificação e limita o controle de fatores que poderiam interferir nos resultados. Além disso, observar uma taxa numericamente superior em uma superfície não demonstra, por si só, que essa superfície tenha causado as lesões.

O estudo brasileiro não deve ser descartado, mas também não pode ser transformado em prova causal. Ele acrescenta uma informação relevante a uma literatura que permanece heterogênea e mostra por que o debate não deve ser resolvido escolhendo apenas o número que confirma uma posição previamente adotada.

O número total pode esconder lesões diferentes

Existe outra dificuldade em comparar apenas a incidência geral. Uma superfície pode não aumentar o número total de lesões e, ainda assim, apresentar um padrão diferente para determinados diagnósticos.

O tornozelo é um exemplo. No estudo europeu de Ekstrand publicado em 2006, a incidência geral foi semelhante, mas apareceu um sinal de maior ocorrência de entorses de tornozelo em partidas disputadas no artificial. O número de eventos era pequeno, razão pela qual os próprios pesquisadores recomendaram cautela na interpretação.

Na MLS, o padrão voltou a aparecer. O estudo de quatro temporadas encontrou incidência estatisticamente maior de lesões de tornozelo, lesões do tendão de Aquiles e fraturas de tornozelo no artificial, apesar de não haver diferença significativa na incidência geral. Para lesões do joelho, não foi identificada diferença estatisticamente significativa.

O ligamento cruzado anterior apresenta uma discussão ainda mais delicada. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2022 por Michelle Xiao e colaboradores reuniu sete estudos sobre futebol e não encontrou diferença significativa no risco de LCA quando homens e mulheres foram considerados conjuntamente. Quando os dados de partidas foram separados por sexo, entretanto, apareceu um resultado diferente.

Entre as mulheres, a razão de taxas de incidência foi de 1,18, com intervalo de confiança de 1,05 a 1,31, indicando maior incidência de lesões de LCA em partidas no artificial naquele conjunto de estudos. Entre os homens, a razão também foi 1,18, mas o intervalo de confiança, de 0,97 a 1,42, incluiu a ausência de diferença estatística.

O resultado merece atenção, mas não autoriza uma conclusão universal de que o sintético cause lesões de LCA em jogadoras. O próprio estudo ressalta que a lesão do ligamento cruzado anterior é multifatorial e que são necessárias novas pesquisas sobre possíveis diferenças relacionadas ao sexo e à superfície.

Há ainda sinais muito específicos. Em 2019, Takayuki Miyamori e colaboradores publicaram no BMJ Open um estudo retrospectivo com 1.854 jogadores. Depois do ajuste para múltiplos fatores, atletas que relataram passar mais de 80% do tempo no artificial apresentaram uma razão de chances de 3,44, com intervalo de confiança entre 1,65 e 7,18, para fratura por estresse do quinto metatarso em comparação aos que passavam menos de 20% do tempo nessa superfície.

É um achado importante, mas extremamente específico. Os próprios autores apontam limitações como viés de memória e potenciais fatores de confusão não incluídos no modelo. Transformar esse resultado em “o sintético provoca três vezes mais fraturas” seria cientificamente incorreto.

A mensagem que emerge desses estudos é mais sutil: uma incidência geral semelhante não significa necessariamente que o perfil de todas as lesões seja idêntico.

Se os números gerais não mostram mais lesões, por que tantos jogadores reclamam?

É aqui que a experiência dos atletas precisa ser levada a sério sem ser confundida com prova científica.

Jogadores podem perceber uma superfície como mais dura, agressiva ou desgastante. Podem sentir diferenças na aderência, na maneira como a chuteira responde às mudanças de direção e no estado muscular ou articular depois de uma partida. Essas percepções são relevantes porque vêm das pessoas submetidas repetidamente às superfícies em condições de alta intensidade.

Mas percepção e epidemiologia respondem a perguntas diferentes.

A primeira descreve como o atleta experimenta aquela superfície. A segunda tenta determinar quantas lesões ocorreram, em qual população, durante determinada quantidade de exposição e segundo uma definição previamente estabelecida.

Isso permite uma possibilidade que frequentemente desaparece da discussão pública: o jogador pode estar descrevendo corretamente uma diferença de sensação ou resposta física, enquanto um estudo epidemiológico também está correto ao não encontrar maior incidência geral de lesões.

Uma coisa não necessariamente invalida a outra.

O desafio científico está em descobrir quais dessas diferenças subjetivas correspondem a alterações biomecânicas mensuráveis e, principalmente, quais delas efetivamente se transformam em aumento de determinado tipo de lesão.

Entre a chuteira e o campo existe uma variável que o debate quase sempre ignora

Quando um jogador acelera, freia ou muda rapidamente de direção, o gramado não funciona isoladamente. Existe uma interação entre a superfície, a chuteira, o desenho e a disposição das travas, a velocidade do movimento e as características do próprio atleta.

Um dos conceitos importantes nessa relação é a tração rotacional.

O jogador precisa de aderência suficiente para conseguir acelerar e mudar de direção sem escorregar. Mas mais aderência não significa necessariamente uma condição melhor em qualquer circunstância. Se a resistência à rotação for elevada, a chuteira pode permanecer mais presa ao piso enquanto o restante do corpo continua o movimento, aumentando o torque transmitido pela cadeia mecânica.

Essa interação ajuda a explicar por que a ciência do gramado não pode ser reduzida simplesmente à matéria-prima da superfície. O comportamento de determinada chuteira sobre determinado campo pode ser diferente do observado com outra configuração de travas ou em outra superfície.

Há, porém, uma fronteira que precisa permanecer clara: demonstrar diferenças de tração ou torque em testes biomecânicos não é o mesmo que demonstrar que essas diferenças causam determinada lesão em partidas reais. Lesões esportivas são multifatoriais, e a passagem de um mecanismo biomecanicamente plausível para uma relação causal epidemiológica exige evidências adicionais.

O problema de falar simplesmente em “gramado sintético”

A própria evolução tecnológica dificulta tratar todos os artificiais como se fossem a mesma superfície.

A FIFA registra que os primeiros gramados artificiais surgiram ainda na década de 1960 e que a introdução dos sistemas de terceira geração, os chamados 3G, representou uma mudança importante para sua utilização no futebol. A entidade também reconhece explicitamente que existem grandes diferenças de qualidade entre os sistemas de terceira geração disponíveis no mercado.

Isso significa que resultados obtidos em superfícies artificiais antigas não podem ser transferidos automaticamente para qualquer campo moderno.

Mesmo entre sistemas contemporâneos existem diferenças de construção, fibras, preenchimento, base, amortecimento, desgaste e manutenção. Por isso, “sintético” funciona como uma categoria geral, mas não descreve sozinho todas as propriedades mecânicas de um campo.

A FIFA criou seu Quality Programme for Football Turf justamente para estabelecer parâmetros técnicos. Para receber uma marca de qualidade da entidade, o sistema precisa passar por testes de laboratório e pela avaliação da instalação final no campo. São examinados aspectos relacionados ao desempenho, à segurança, à durabilidade e à garantia de qualidade.

A entidade diferencia ainda o FIFA Quality, direcionado principalmente a campos comunitários e amadores, do FIFA Quality Pro, destinado ao nível profissional e às maiores exigências de desempenho. O próprio programa informa que a referência utilizada no desenvolvimento dos testes é um gramado natural em boas condições.

Isso não significa que um campo certificado se comporte de maneira idêntica ao natural em qualquer situação. Significa que ele atende aos requisitos técnicos estabelecidos para aquela certificação.

É uma diferença importante.

O outro erro é imaginar que toda grama natural é igual

A mesma cautela precisa valer para o outro lado da comparação.

Um gramado natural bem construído e mantido não é mecanicamente equivalente a um campo natural excessivamente seco, encharcado, duro, irregular ou deteriorado. A qualidade da superfície pode variar substancialmente mesmo quando todos esses campos recebem a mesma classificação genérica de “gramado natural”.

Esse problema ficou evidente até em competições internacionais recentes. Durante o Mundial de Clubes de 2025, treinadores criticaram a qualidade de alguns campos naturais utilizados nos Estados Unidos, e Arsène Wenger, então responsável pelo desenvolvimento global do futebol na FIFA, reconheceu que determinadas superfícies não estavam no nível esperado para clubes europeus.

Isso não demonstra que um natural ruim seja necessariamente mais perigoso do que um artificial bem mantido. A literatura disponível não permite estabelecer essa hierarquia de maneira tão simples.

O que demonstra é algo diferente: a palavra “natural”, assim como a palavra “sintético”, não é suficiente para descrever a condição real de uma superfície.

Por isso que reduzir toda a discussão à origem do material pode esconder variáveis importantes.

Existe uma diferença física muito clara: a temperatura

Se a epidemiologia das lesões apresenta resultados complexos, a questão térmica oferece uma diferença mais consistente.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 no International Journal of Biometeorology reuniu 23 estudos sobre o ambiente térmico de superfícies esportivas sintéticas. Os pesquisadores encontraram temperaturas do ar imediatamente acima do artificial entre 0,5°C e 1,2°C maiores do que sobre a grama natural. Na própria superfície, as diferenças observadas ficaram entre 9,4°C e 33,7°C.

Também houve diferenças entre os próprios sintéticos. Sistemas com determinados materiais de preenchimento ou shockpads apresentaram temperaturas maiores, enquanto algumas tecnologias e tipos de fibras apresentaram temperaturas superficiais inferiores a outros sistemas artificiais.

É uma evidência clara de que o sintético pode atingir temperaturas superficiais consideravelmente superiores às do natural em determinadas condições.

Mas novamente existe uma fronteira entre aquilo que foi medido e aquilo que pode ser concluído.

Os autores da revisão afirmam que ainda é incerto se essas diferenças são suficientes para aumentar o risco de estresse térmico dos atletas. Portanto, usar a temperatura maior para afirmar que o sintético comprovadamente provoca mais fadiga, desidratação ou lesões musculoesqueléticas extrapolaria os dados disponíveis.

A temperatura é diferente. A consequência clínica dessa diferença ainda precisa ser melhor determinada.

Então o futebol brasileiro está fazendo a pergunta certa?

Grande parte do debate público é construída como uma escolha binária: natural ou sintético.

A classificação importa. Existem diferenças físicas entre superfícies, diferentes tecnologias de construção e sinais epidemiológicos específicos que merecem investigação. Não faria sentido tratar o material como irrelevante.

O problema é imaginar que essa informação, isoladamente, encerre a discussão.

A literatura mostra que o sistema é mais complexo. Características da superfície, manutenção, desgaste, temperatura, tração, interação com a chuteira, quantidade de exposição e características individuais do jogador podem fazer parte da equação. Ao mesmo tempo, o gramado natural utilizado como comparação também pode variar consideravelmente em qualidade e comportamento.

Isso não permite afirmar que a qualidade seja mais importante do que a natureza da superfície. A ciência disponível não estabelece essa hierarquia. Permite uma conclusão mais cautelosa e, talvez, mais útil para a gestão do futebol: classificar um campo apenas como natural ou sintético não descreve todas as características potencialmente relevantes para desempenho, conforto e risco de lesão.

Essa distinção importa para clubes, jogadores e entidades responsáveis pela regulamentação. Se a preocupação é segurança, a discussão precisa avançar para características mensuráveis das superfícies, padrões técnicos, manutenção e fiscalização, sem abandonar a investigação sobre eventuais diferenças epidemiológicas entre os materiais.

Afinal, o sintético provoca mais lesões?

Com a evidência disponível hoje, não existe sustentação científica consistente para afirmar que gramados artificiais modernos provoquem maior incidência geral de lesões no futebol. A principal meta-análise disponível encontrou justamente o contrário no agregado, embora suas limitações metodológicas impeçam concluir que o artificial seja protetor.

Isso não encerra a discussão.

Existem sinais específicos envolvendo tornozelo, um resultado relevante sobre LCA em mulheres, uma associação particular com fratura por estresse do quinto metatarso e diferenças biomecânicas que justificam continuar investigando a interação entre chuteira e superfície. No Brasil, um estudo recente encontrou incidência numericamente superior no sintético, mas seu desenho retrospectivo e suas limitações impedem transformar o resultado em prova de causalidade.

Também não há razão científica para simplesmente desconsiderar aquilo que os jogadores relatam. Dor, desconforto, percepção de esforço e recuperação não são sinônimos de incidência epidemiológica de lesões. Uma superfície pode ser percebida de maneira diferente sem necessariamente produzir maior número de afastamentos, e descobrir até que ponto essas percepções correspondem a efeitos fisiológicos ou biomecânicos relevantes continua sendo uma pergunta legítima.

Talvez, portanto, a principal contribuição da ciência para essa discussão seja impedir que ela seja encerrada por frases absolutas.

Não está demonstrado que o sintético moderno machuque mais de maneira geral. Também não está demonstrado que natural e artificial sejam equivalentes em todos os aspectos.

Entre essas duas afirmações existe uma discussão muito mais complexa sobre tecnologia, manutenção, biomecânica, temperatura, exposição e características individuais dos atletas.

No fim, perguntar apenas se o campo é natural ou sintético continua sendo relevante. O problema é imaginar que essa seja a única pergunta que precisa ser feita.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *