Quem ainda defende o futebol?

chatgpt image 31 de jul. de 2026, 12 01 43

Durante décadas, o futebol conseguiu preservar uma característica rara entre os grandes fenômenos globais. Embora sempre tenha convivido com governos, disputas diplomáticas, interesses econômicos e diferentes centros de poder, permaneceu relativamente intacta a percepção de que, quando a bola começava a rolar, existia um espaço protegido onde as regras pertenciam ao próprio esporte.

Essa crença talvez nunca tenha sido perfeita, mas foi suficientemente forte para sustentar a legitimidade das competições e alimentar a confiança de bilhões de torcedores espalhados pelo mundo.

Seria ingenuidade imaginar que a política jamais participou da história do futebol. Ela esteve presente na utilização de Copas do Mundo como instrumento de projeção internacional, na escolha de países-sede, nas relações entre federações e governos, nas negociações por direitos de transmissão, nos grandes contratos de patrocínio e até mesmo na diplomacia exercida pela própria FIFA ao longo de diferentes administrações. O futebol nunca existiu isolado do restante da sociedade. Sempre foi influenciado pelos interesses econômicos e políticos que cercam qualquer atividade de alcance verdadeiramente global.

O problema contemporâneo, entretanto, parece diferente. Não se trata mais apenas da política orbitando o futebol. Pela primeira vez em muito tempo, cresce a percepção de que essa fronteira pode estar se tornando mais permeável, permitindo que interesses externos sejam percebidos como capazes de alcançar aquilo que deveria permanecer sob exclusiva responsabilidade das instituições esportivas.

O episódio envolvendo Donald Trump, Gianni Infantino e o atacante norte-americano Folarin Balogun ilustra precisamente essa mudança de percepção.

Durante a Copa do Mundo de 2026, após um contato direto entre o então presidente dos Estados Unidos e o presidente da FIFA, a suspensão automática aplicada a um atleta da seleção dos Estados Unidos, em razão de sua expulsão na partida anterior, acabou sendo retirada. A FIFA afirmou que a decisão decorreu exclusivamente da análise técnica do caso e rejeitou qualquer influência política. Não há elementos públicos que permitam afirmar o contrário. Afinal, tratava-se de uma decisão disciplinar que, embora extraordinária e extremamente incomum, admitia diferentes interpretações. Ainda assim, essa não é a questão mais importante.

As instituições não vivem apenas de decisões corretas. Vivem também da confiança pública em sua independência.

Quando um chefe de Estado intervém pessoalmente em favor de um jogador de sua seleção nacional e, pouco tempo depois, a punição é revertida, instala-se inevitavelmente uma dúvida que nenhuma nota oficial consegue eliminar por completo. A discussão deixa de ser apenas jurídica. Passa a ser institucional.

Talvez a maior responsabilidade de uma entidade como a FIFA nunca tenha sido apenas organizar competições ou administrar regulamentos. Sua função mais importante sempre foi proteger a autonomia do próprio futebol, preservando a convicção de que as regras pertencem ao jogo e não aos interesses políticos, econômicos ou diplomáticos que inevitavelmente o cercam.

É nesse ponto que surge a inquietação que motivou este artigo.

O problema não é que políticos tentem influenciar o futebol. Isso aconteceu em diferentes momentos da história e provavelmente continuará acontecendo. O verdadeiro problema começa quando a instituição encarregada de proteger a independência do esporte deixa de transmitir, com a mesma intensidade de antes, a imagem de distância necessária em relação a esses interesses.

Essa mudança talvez pareça sutil. Na prática, porém, ela altera um dos pilares invisíveis sobre os quais todo o futebol foi construído. Nenhuma competição depende apenas da qualidade técnica de seus participantes. Ela depende, sobretudo, da confiança de que todos disputam sob um mesmo conjunto de regras, administradas por instituições capazes de permanecer acima das pressões externas.

Quando essa confiança começa a ser questionada, mesmo que não exista prova de interferência efetiva, mas apenas circunstâncias capazes de suscitar dúvidas legítimas, parte do patrimônio institucional do esporte já começa a se deteriorar.

Essa preocupação se torna ainda mais relevante quando observamos que o episódio envolvendo Balogun não aparece isolado dentro de um contexto mais amplo.

Nos últimos anos, a FIFA passou por uma transformação muito mais profunda do que uma simples mudança de dirigentes. Aos poucos, a entidade deixou de concentrar seus esforços apenas na administração do futebol mundial e passou a assumir um protagonismo crescente na expansão comercial de suas próprias competições. É justamente essa transformação que ajuda a compreender por que episódios aparentemente desconectados começam a formar um mesmo padrão.

A FIFA deixou de agir apenas como guardiã do futebol

Se o episódio envolvendo Balogun levantou dúvidas sobre a capacidade da FIFA de preservar uma distância institucional em relação à política, ele talvez represente apenas a manifestação mais visível de uma transformação que vem ocorrendo de forma gradual há vários anos. O tema central não é uma decisão disciplinar específica. É a mudança de papel da própria organização encarregada de administrar o futebol mundial.

Durante boa parte de sua história, a FIFA foi percebida principalmente como a entidade responsável por estabelecer as regras do jogo, organizar as competições internacionais e arbitrar os interesses frequentemente conflitantes das federações nacionais, das confederações continentais, dos clubes, das ligas e dos próprios atletas. Naturalmente, também gerava receitas expressivas. A Copa do Mundo sempre esteve entre os maiores eventos esportivos do planeta, movimentando bilhões de dólares em direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e hospitalidade. Nunca existiu incompatibilidade entre administrar o futebol e produzir receitas.

Nos últimos anos, entretanto, parece ter ocorrido uma mudança importante de prioridade. Em vez de apenas administrar grandes competições, a FIFA passou a assumir uma postura cada vez mais ativa na criação de novos produtos, na ampliação de torneios existentes e na expansão permanente de seus próprios ativos comerciais.

A Copa do Mundo masculina passou de 32 para 48 seleções. O Mundial de Clubes foi completamente reformulado para se transformar em uma competição de grandes proporções, com calendário próprio, maior duração e receitas significativamente superiores. Novos acordos comerciais foram firmados, novas oportunidades de exploração econômica surgiram e a entidade passou a demonstrar interesse crescente em ampliar sua presença direta no mercado global do entretenimento esportivo.

Até mesmo aspectos tradicionalmente considerados estritamente esportivos passaram a despertar esse tipo de debate. As pausas para hidratação na Copa do Mundo de 2026, concebidas originalmente para proteger a saúde dos atletas em condições climáticas extremas, passaram a ser adotadas em todas as partidas, inclusive em estádios modernos e climatizados, nos quais a justificativa térmica parecia menos evidente. Ao mesmo tempo, essas interrupções criaram novos espaços para ativações comerciais e ampliaram significativamente a exposição de patrocinadores durante as transmissões.

Não é possível afirmar que esse tenha sido o motivo determinante para sua adoção. Ainda assim, a coincidência entre a ampliação dessas pausas e seu elevado potencial de monetização fortaleceu a percepção de que, em determinadas circunstâncias, considerações comerciais passaram a influenciar decisões tradicionalmente justificadas apenas por critérios esportivos.

Essa mudança tornou-se ainda mais evidente com o projeto anunciado pela FIFA de criar uma empresa destinada a concentrar determinados ativos comerciais ligados às suas competições internacionais. A proposta prevê a possibilidade de participação minoritária de investidores privados nessa estrutura, mantendo a FIFA como controladora, mas abrindo espaço para a entrada de capital externo. Entre os investidores apontados para liderar a operação está a Thrive Eternal, veículo de investimentos fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Independentemente de qualquer juízo sobre essa participação, a coincidência temporal entre a aproximação política observada nos últimos anos, mais evidenciada durante a Copa do Mundo, e o surgimento de um grupo ligado à família do presidente americano entre os potenciais investidores ampliou ainda mais o debate sobre a governança da FIFA e a necessidade de preservar a independência institucional da entidade.

A iniciativa provocou forte reação da UEFA e também despertou preocupação em outras confederações, que afirmaram não ter sido previamente consultadas sobre uma decisão com potencial para alterar aspectos relevantes da governança do futebol internacional. A escalada do conflito tornou-se ainda mais evidente poucos dias antes da publicação deste artigo, quando as cinquenta e cinco associações nacionais filiadas à UEFA aprovaram, por unanimidade, um boicote às competições organizadas pela FIFA caso a entidade leve adiante o projeto de transferir participação econômica de seus principais torneios a investidores privados.

Sob esse aspecto, não existe qualquer irregularidade. Organizações esportivas precisam de recursos para financiar suas atividades, investir no desenvolvimento do esporte e garantir sustentabilidade financeira. O crescimento das receitas, por si só, não constitui um problema. O ponto central está em outro lugar.

Instituições não são definidas apenas pelas funções que exercem, mas também pelos incentivos aos quais passam a responder. Quando uma organização cuja principal missão consiste em proteger a integridade de um ecossistema passa a desenvolver interesses econômicos cada vez maiores na expansão desse mesmo ecossistema, sua função institucional torna-se inevitavelmente mais complexa.

Isso não significa que a FIFA tenha abandonado sua missão nem que suas decisões passem a obedecer exclusivamente a critérios econômicos. A realidade costuma ser muito mais sofisticada do que essas explicações simplificadoras. O que parece estar em curso é uma alteração no equilíbrio entre funções que antes ocupavam posições bastante distintas.

A questão, portanto, não é apenas ética. É institucional.

Toda organização responde, ainda que inconscientemente, aos incentivos criados por sua própria estrutura. Quando parte crescente de sua estratégia depende da valorização de ativos que ela própria administra, esses ativos naturalmente passam a adquirir importância cada vez maior dentro do processo decisório.

Por isso que episódios aparentemente desconectados começam a formar um mesmo quadro. A ampliação da Copa do Mundo, a reformulação do Mundial de Clubes, a criação de novos ativos comerciais, a aproximação com investidores privados e a necessidade de manter relações políticas cada vez mais estreitas com governos anfitriões deixam de parecer iniciativas isoladas. Passam a integrar uma estratégia institucional coerente, orientada pela expansão permanente dos ativos administrados pela própria FIFA.

Durante muito tempo, acreditou-se que a FIFA existia para proteger o futebol dos interesses particulares de seus diversos participantes. Hoje, a questão passa a ser outra: como preservar essa função quando a própria entidade também passa a possuir interesses econômicos cuja expansão depende, em grande medida, do sucesso das competições que organiza?

É precisamente essa pergunta que ajuda a compreender por que a reação à criação da nova empresa comercial da FIFA ultrapassou uma simples divergência empresarial. O que entrou em debate não foi apenas uma operação financeira. Foi a própria natureza da instituição encarregada de governar o futebol mundial.

Por que a UEFA reagiu

A forte reação da UEFA ao projeto de criação da empresa comercial da FIFA foi rapidamente interpretada como mais um capítulo da disputa permanente entre duas organizações que competem por influência e receitas. Essa leitura contém uma parcela de verdade, mas é insuficiente para explicar a dimensão do conflito.

Naturalmente, a UEFA possui interesses econômicos próprios. A Champions League representa a competição anual de clubes mais valiosa do planeta. Seus contratos de transmissão movimentam bilhões de euros, seus patrocinadores estão entre as maiores empresas do mundo e sua capacidade de geração de receitas sustenta boa parte da economia do futebol europeu. Seria ingênuo imaginar que uma organização com essa dimensão reagisse de forma completamente desinteressada diante da expansão comercial da FIFA.

Ao mesmo tempo, reduzir a reação da UEFA a uma simples disputa por dinheiro significa ignorar um aspecto muito mais profundo.

A UEFA depende de uma arquitetura institucional específica para preservar a legitimidade de suas competições. A Champions League não existe isoladamente. Ela somente possui valor porque representa o ponto mais alto de uma pirâmide esportiva construída ao longo de décadas. Os clubes chegam à principal competição europeia por meio do desempenho obtido em seus campeonatos nacionais. A classificação decorre, em regra, do mérito esportivo. A possibilidade de disputar o principal torneio continental nasce da competição doméstica, que, por sua vez, está conectada a divisões inferiores por mecanismos de promoção e rebaixamento.

Esse desenho institucional não é apenas uma tradição histórica. Ele constitui o fundamento sobre o qual repousa a legitimidade do futebol europeu.

É justamente por isso que a expansão da FIFA no futebol de clubes desperta tanta preocupação.

À medida que a entidade amplia o Mundial de Clubes, fortalece seus próprios ativos comerciais e passa a desenvolver uma estratégia cada vez mais ambiciosa para suas competições internacionais, ela deixa de atuar exclusivamente como árbitra do sistema e passa também a disputar espaço dentro dele. O debate deixa de envolver apenas quem organiza determinado torneio. Passa a envolver quem exerce maior influência sobre o calendário internacional, sobre a distribuição da atenção do público, sobre os fluxos comerciais e, em última análise, sobre a própria organização do futebol mundial.

Sob essa perspectiva, a reação da UEFA torna-se perfeitamente compreensível.

Não porque a UEFA represente uma instituição moralmente superior. Também ela amplia competições, concentra receitas e recebe críticas relacionadas à distribuição dos recursos, ao desenho competitivo e às dificuldades enfrentadas por clubes emergentes para desafiar a elite econômica do continente. Nenhuma dessas questões desaparece.

Ainda assim, existe uma diferença importante.

Enquanto a FIFA passa a acumular interesses cada vez mais diretos na expansão de seus próprios produtos, a UEFA continua dependendo da preservação do ecossistema europeu para manter o valor de suas competições. Sua força deriva da existência de ligas nacionais competitivas, de clubes economicamente sólidos e de um sistema de classificação que preserve a conexão entre desempenho esportivo e acesso às competições continentais.

Isso ajuda a compreender por que a entidade reagiu de forma tão dura ao projeto da empresa comercial da FIFA. O centro da crítica não era apenas financeiro. Era institucional.

Ao afirmar que o futebol não pertence à FIFA e que decisões capazes de alterar ativos dessa magnitude não poderiam ser tomadas unilateralmente, a UEFA procurava defender, antes de tudo, um princípio de governança: nenhuma organização deve concentrar, ao mesmo tempo, o poder de administrar o sistema e a capacidade de redefinir sozinha a exploração econômica dos principais ativos que compõem esse mesmo sistema.

Essa talvez seja a principal lição desse episódio.

Contrapesos institucionais raramente surgem porque seus participantes são mais virtuosos. Eles surgem porque diferentes organizações possuem interesses distintos e, justamente por isso, limitam reciprocamente sua capacidade de concentração de poder. A resistência da UEFA pode ser explicada por seus próprios interesses econômicos e estratégicos. Mas isso não reduz sua importância institucional.

Em sistemas complexos, muitas vezes é precisamente o conflito entre interesses concorrentes que impede que uma única organização passe a controlar, sem limites efetivos, os rumos de todo o ecossistema.

Afinal, quem ainda defende o futebol?

Ao longo deste artigo, discutimos Donald Trump, Gianni Infantino, a FIFA, a UEFA, investidores privados, novas competições e governança institucional. Todos esses elementos, entretanto, representam apenas manifestações de uma transformação mais profunda. Nenhum deles constitui, por si só, o verdadeiro objeto da discussão.

O patrimônio mais valioso do futebol nunca foi a Copa do Mundo, a Champions League, os contratos de transmissão ou os bilhões movimentados por patrocinadores e direitos comerciais. Todos esses ativos existem porque o esporte conseguiu preservar algo muito mais difícil de construir: a confiança coletiva de que suas competições pertencem ao jogo antes de pertencerem a qualquer organização.

Milhões de pessoas acompanham o futebol porque acreditam que existe algo de genuinamente imprevisível em cada competição. O pequeno pode vencer o grande. Uma seleção considerada inferior pode eliminar uma potência mundial. Um clube tradicional pode ser rebaixado, outro pode subir de divisão e, alguns anos depois, disputar um título continental.

O mérito esportivo nunca elimina completamente as diferenças econômicas, mas impede que elas se transformem em privilégios definitivos.

Essa confiança não nasce apenas do equilíbrio técnico entre os participantes. Ela depende da percepção de que todos continuam submetidos às mesmas regras e de que existe uma instituição minimamente independente para protegê-las quando interesses políticos, econômicos ou comerciais tentam ultrapassar seus limites.

É exatamente por isso que a transformação recente da FIFA merece atenção.

Nenhuma organização esportiva está proibida de crescer, aumentar suas receitas ou desenvolver novos produtos comerciais. O futebol tornou-se uma das maiores indústrias do entretenimento mundial, e seria irrealista imaginar que sua principal entidade internacional pudesse permanecer indiferente às oportunidades econômicas criadas por essa expansão.

O problema surge quando o crescimento deixa de ser apenas um instrumento para fortalecer o futebol e começa a alterar a própria função da instituição encarregada de administrá-lo.

Essa mudança, por si só, não prova qualquer decisão incorreta. Também não significa que a entidade tenha abandonado sua missão institucional. O ponto central é outro. Quanto maior o número de interesses acumulados por uma organização, maior também se torna a responsabilidade de demonstrar que continua capaz de arbitrar conflitos preservando a mesma independência que lhe conferiu legitimidade ao longo de décadas.

É sob essa perspectiva que episódios como o caso Balogun deixam de ser apenas acontecimentos isolados. O telefonema de um chefe de Estado, a reversão posterior de uma punição disciplinar, a criação de uma empresa comercial, a entrada potencial de investidores privados e a reação da UEFA passam a integrar um mesmo ambiente institucional. Não porque exista necessariamente uma relação causal entre eles, mas porque todos contribuem para uma mesma percepção: a de que a distância entre política, interesses econômicos e governança esportiva parece menor do que já foi.

Talvez esse seja o maior desafio enfrentado pela FIFA na gestão de Gianni Infantino.

Durante mais de um século, sua autoridade repousou menos sobre o poder econômico do que sobre a confiança de que existia para proteger o futebol de interesses particulares. Hoje, essa confiança passa a depender de sua capacidade de convencer clubes, atletas, federações e torcedores de que a expansão comercial da entidade não comprometerá justamente aquilo que lhe conferiu legitimidade: a autonomia institucional do jogo.

A reação da UEFA ilustra bem essa tensão. Ela certamente possui interesses econômicos próprios, procura preservar sua posição de liderança e está longe de representar um modelo perfeito de governança. Ainda assim, sua resistência revela uma preocupação que ultrapassa a simples disputa por receitas. Ao questionar a concentração crescente de poder comercial nas mãos da FIFA, coloca em debate uma questão essencial para qualquer sistema institucional: quem controla o controlador?

Essa talvez seja, afinal, a pergunta mais importante de todo o artigo.

Porque, no fim, o maior risco para o futebol não é que novas potências esportivas surjam, que novos mercados se desenvolvam ou que novas competições sejam criadas. O verdadeiro risco aparece quando começa a enfraquecer a confiança de que as regras pertencem ao jogo e não às organizações que o administram.

Se essa confiança um dia se perder, o futebol continuará movimentando bilhões de dólares, atraindo patrocinadores e lotando estádios. Mas terá perdido exatamente aquilo que o transformou no esporte mais popular do planeta: a convicção de que, apesar de todos os interesses que o cercam, o resultado continua sendo decidido dentro das quatro linhas.

Talvez seja cedo para afirmar que essa transformação já ocorreu. Mas definitivamente não é cedo demais para discutir quem continuará defendendo essa fronteira.

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